Chegou em casa, abriu a porta, o desânimo comum à cara. Entrou em casa, passou pela sala.
- Cheguei!
Foi ao banheiro, lavou as mãos, se olhou no espelho, não se via mais. Há alguns anos, perto da infância, não se via mais. Mas isso não era uma dádiva única a ele. Todos aqui que lêem sabem ou sentem que não se vêem mais.
Dignidade, palavra que não conscientizava, mas sentia na pele, toda hora, todo dia, como um pedaço de seu programa do computador.
Secou o rosto lavado com água fria, sensação.
Foi pro quarto, beijou a filha, se olhou no espelho de novo. Não se viu de novo. Só o rosto.
A filha:
- Pai!
Abraço forte, sentido como um regresso à consciência de dignidade e, se quisesse, poderia se olhar no espelho novamente. Se quisesse, dessa vez se veria.